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Há pessoas para as quais a vida flui numa serenidade perfeita; que, não tendo necessidade de fazer qualquer coisa para si mesmas, estão livres de cuidados. Essa existência feliz é uma prova de que nada têm a expiar de uma existência anterior?

Conheces muitas assim? Se o acreditas, enganas-te. Em geral essa serenidade não é mais do que aparente. Podem ter escolhido essa existência, mas, quando a deixam, percebem que ela não os ajudou a progredir; então, como os preguiçosos, lamentam o tempo perdido. Sabei que o Espírito não pode adquirir conhecimento e se elevar senão através da atividade; se ele adormece na despreocupação, não se adianta. E semelhante àquele que, de acordo com os vossos costumes, tem necessidade de trabalhar e vai passear ou dormir para nada fazer. Sabei também que cada qual terá de prestar contas da inatividade voluntária durante a sua existência; essa inutilidade é sempre fatal à felicidade futura. A soma da felicidade futura está na razão da soma do bem que tiver feito; a da infelicidade, na razão do mal e dos infelizes que se tenham feito.