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Os Espíritos inferiores compreendem a felicidade do justo?

Sim, e é isso o que os tortura, pois compreendem que estão privados dela por sua própria culpa. E por isso que o Espírito liberto da matéria aspira a uma nova existência corpórea, pois cada existência poderá abreviar, se for bem empregada, a duração desse suplício. É então que ele escolhe as provas que poderão expiar suas culpas. Porque, ficai sabendo, o Espírito sofre por todo o mal que fez ou do qual foi causador involuntário, por todo o bem que, tendo podido fazer, não o fez, e por todo o mal que resultar do bem que deixou de fazer. O Espírito errante não está mais envolvido pelo véu da matéria; é como se tivesse saído de um nevoeiro e vê o que o distancia da felicidade; então sofre ainda mais, porque compreende quanto é culpado. Para ele não existe mais a ilusão; vê a realidade das coisas.

Comentário de Kardec: O Espírito, na erraticidade, abrange na sua visão, de um lado, todas as suas existências passadas, e do outro, o futuro prometido, compreendendo o que lhe falta para atingi-lo. Como um viajante que chegou ao cume de uma montanha, vê a rota percorrida e o que falta para chegar ao seu destino.